Consignado CLT começa a valer: veja quem pode pedir e como funciona o crédito com FGTS
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O governo federal lançou uma nova linha de crédito consignado para trabalhadores do setor privado, chamada “Crédito do Trabalhador”. A medida permite o uso de até 10% do saldo do FGTS e 100% da multa rescisória como garantia para obtenção de empréstimos com juros reduzidos.
A iniciativa pode beneficiar 47 milhões de trabalhadores formais, incluindo empregados domésticos, trabalhadores rurais e funcionários de microempreendedores individuais (MEIs).
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O crédito estará disponível a partir de 21 de março pela plataforma Carteira de Trabalho Digital. A partir de 25 de abril, será possível contratar diretamente pelos canais dos bancos. A expectativa do governo é que a nova modalidade reduza os juros em até 40%, tornando o acesso ao crédito mais barato e seguro.
Quem pode solicitar o consignado CLT?
A nova linha de crédito foi criada para trabalhadores com carteira assinada na iniciativa privada, abrangendo diversas categorias:
- Empregados formais do setor privado.
- Trabalhadores domésticos.
- Trabalhadores rurais.
- Funcionários de MEIs, desde que tenham registro formal.
- Quem já utilizou o Saque-Aniversário do FGTS também poderá contratar o empréstimo.
A estimativa é que 47 milhões de pessoas possam aderir ao programa, ampliando significativamente o acesso ao crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
Como funciona o novo crédito?

A contratação do crédito será feita exclusivamente por canais digitais na fase inicial. O trabalhador poderá comparar ofertas e escolher a melhor opção diretamente pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital.
Passo a passo da contratação:
- Acessar o app da Carteira de Trabalho Digital (Android ou iOS).
- Solicitar o crédito e autorizar o compartilhamento de dados com os bancos.
- Receber as ofertas dos bancos em até 24 horas.
- Escolher a melhor opção e concluir a contratação.
- O desconto da parcela ocorre automaticamente na folha de pagamento.
A partir de 25 de abril, será possível contratar também pelos canais eletrônicos dos bancos.
Taxas de juros e impacto financeiro
Com o uso do FGTS como garantia, o governo prevê uma redução significativa nas taxas de juros do consignado para CLT.
Modalidade | Taxa média de juros ao mês |
---|---|
Consignado setor privado (atual) | 2,89% |
Consignado servidores públicos | 1,8% |
Consignado aposentados do INSS | 1,66% |
Com essa redução, o governo espera que o volume de crédito para trabalhadores do setor privado triplique, saindo dos atuais R$ 40 bilhões para R$ 120 bilhões.
Regras e limites do consignado CLT

O programa impõe algumas restrições para evitar endividamento excessivo.
- Máximo de 35% do salário pode ser comprometido com o empréstimo.
- Até 10% do saldo do FGTS pode ser usado como garantia.
- 100% da multa rescisória (40% do FGTS) pode ser usada para quitar a dívida em caso de demissão.
- O desconto das parcelas ocorre diretamente na folha de pagamento, via eSocial.
Se o trabalhador for demitido, há três possibilidades:
- O FGTS pode ser usado para quitar a dívida com o banco.
- Caso não seja suficiente, o pagamento é interrompido até que o trabalhador consiga um novo emprego CLT.
- Também será possível negociar um novo acordo de pagamento com o banco.
Portabilidade e migração entre bancos
O governo prevê medidas para garantir que os trabalhadores possam migrar para condições melhores sem dificuldades.
- A partir de 25 de abril: quem já tem um consignado ativo pode migrar para essa nova linha de crédito.
- A partir de 6 de junho: será possível fazer portabilidade entre os bancos.
Essas regras visam incentivar a concorrência entre instituições financeiras e permitir que os trabalhadores tenham acesso a juros mais baixos.
Validade da Medida Provisória e regulamentação
- A Medida Provisória (MP) que criou o consignado CLT já está em vigor.
- O Congresso precisa aprová-la em até 120 dias para que continue valendo permanentemente.
- O governo ainda trabalha na regulamentação do uso do FGTS como garantia, com previsão de conclusão até junho.
A expectativa é que o programa amplie o acesso ao crédito e reduza a inadimplência, mas especialistas alertam que o planejamento financeiro deve ser prioridade antes de contratar qualquer empréstimo.